Eventos e Baladas

Cachaça Werneck: a novinha com currículo invejável

Com 10 anos de comercialização, a Cachaça Werneck comemora a trajetória e adapta-se aos novos tempos.

2020 prometia ser um ano de muitas celebrações no sítio da Werneck. O mês de abril marcou 10 anos completos da comercialização da bebida que começou por hobby, mas tornou-se uma das mais premiadas do país. Abril também foi marcado pela disseminação da pandemia no Brasil, afetando em cheio os planos de qualquer comemoração.

Eli Werneck, porém, planeja adiar os festejos, porque são muitos motivos para comemorar. A cachaça Werneck foi responsável por elevar o nível do destilado no país, trazendo ao mercado uma cachaça de qualidade com padrões equivalentes aos utilizados na produção dos melhores destilados do mundo.

Nesses 10 anos foram mais de 20 premiações e medalhas nacionais e internacionais. Foi a segunda cachaça no estado do Rio a receber a Certificação de Qualidade do INMETRO e a primeira no mesmo estado a receber o selo orgânico da ABIO. Ela já foi exportada para diversos países como EUA, França, China e Honduras.

Outro reconhecimento importante foi a presença contínua no Ranking da Cúpula da Cachaça, o mais abrangente concurso da bebida no país. E não é pouca coisa: levando-se em conta que são cerca de 5 mil cachaças legalizadas inscritas no Ranking, estar entre as 50 primeiras significa estar no seleto grupo de 1% das cachaças do país.

Juntos na empreitada: o sítio de férias virou local de produção.Análise do resultado: Eli inspeciona pessoalmente cada novo lote.O estojo da edição especial Safira Régia, cujo único lote esgotou.

O executivo aposentado torna-se mestre cachaceiro


A fórmula de sucesso tem nome: trabalho. Carioca criado no Jardim Botânico, Eli Werneck atuou por 20 anos como executivo em uma montadora e não conseguiu ficar parado ao se aposentar. A tarefa de produzir cachaça começou como hobby, na casa de campo da família. Para manter os custos da propriedade, veio a ideia de torná-la sustentável e, assim, resolveram investir na produção.

Foram muitos anos investindo em cursos por ele e a mulher, Cilene, aquisição de novos equipamentos e estrutura para adaptar o sítio em local ideal para a produção. Ali concentra-se todo o processo: o plantio da cana orgânica certificada, a moagem da cana até a rotulagem e embalagem.

“Sempre optamos pela produção orgânica, já que era o que fazia sentido para nós, que temos como uma das nossas principais preocupações a preservação do meio ambiente”. Eles também aproveitam ao máximos os resíduos do processo, que retornam ao ciclo produtivo. O bagaço da cana alimenta a fornalha, que também é usado para compostagem nos canteiros. Usam a gravidade para condução do caldo até os tanques, economizando energia.

A cultura de cana ocupa apenas 20% da área e é intercalada a cada período com outras culturas, para manter a nutrição do solo e foi feito reflorestamento em mais de 50% da área do sítio, incluindo recuperação das áreas de encosta e mata ciliar. Por ali passa o Rio das Flores, que dá nome ao município onde está sediada a Werneck.

Novos Tempos

O período da pandemia afetou em cheio o mercado da Werneck, que tinha nos bares e restaurantes sua maior fonte de escoamento no país. “Foi difícil, mas nos possibilitou uma adaptação para outras opções de venda. Intensificamos o delivery e fortalecemos parcerias com empresas já estabelecidas no comércio online. Além disso criamos no nosso site uma promoção específica para clientes do Rio de Janeiro com entregas por motoboy ou Uber, evitando uso do Correio”.

A falta dos eventos também foi sentida pelo mestre alambiqueiro: as feiras, encontros de produtores e outros eventos especializados como a Expo Cachaça, em Belo Horizonte, o Rio Gastronomia, no Rio de Janeiro e o Festival Vale do Café, que acontece em diversos municípios da região onde é produzida, além das feiras da Junta Local no Rio de Janeiro. “O contato com o público é um dos aspectos mais fascinantes da atuação, porque assim recebemos feedback instantâneo, ouvimos histórias e podemos compartilhar nossa paixão em comum pela cachaça”.

Os chamados “cachaceiros”, diferente do que se pensa, não costumam exagerar na dose. “A boa cachaça é feita para ser degustada e não para deixar a pessoa bêbada. Justamente pelo alto teor alcoólico é uma bebida que deve ser consumida em pequenas doses. E também por esse motivo precisa ser de boa qualidade, garantindo os aromas e sabor”.

Falando em produção especial, esse mês chegou ao fim a Safira Régia, de tiragem única e limitada, com garrafas numeradas, vendida em estojo de luxo, digna de sua qualidade superior. “Foi um blend de uma das melhores cachaças que o Brasil já teve e ficamos muito felizes com o projeto”, conta ele, que irá leiloar no fim do ano as 3 últimas garrafas.

Aos amantes do destilado, fiquem atentos porque só há mais três unidades.

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