Com curadoria de Adélia Borges, estande reúne peças têxteis e cerâmicas de oito países, destacando a conexão entre tradições ancestrais e o design contemporâneo
A Loja MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriandparticipa da 22ª edição da SP-Arte, de 8 a 12 de abril, com uma seleção de trabalhos de criadores de oito países latinos: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru e Venezuela. Em diálogo com o eixo temático anual Histórias latino-americanas, a presença da loja do museu na feira evidencia a diversidade de práticas artísticas da região. Com curadoria de Adélia Borges, curadora-adjunta, Loja MASP, o conjunto privilegia a autoria feminina em trabalhos têxteis e cerâmicos, aproximando técnicas tradicionais de leituras contemporâneas.
Da Amazônia peruana participa Lily Sandoval Panduro, do povo Shipibo-Konibo, com bordados que reproduzem os grafismos kené, tradição compartilhada com povos indígenas do Acre, como os Huni Kuin. Da Colômbia, além dos estandartes do ateliê de Argenis Ocampo, em Bogotá, produzidos com a técnica têxtil figurativa arpillera, a Loja MASP traz bancos entalhados em madeira feitos por Ramiro e Diana Moreno Gaitan, do grupo indígena Sikuani. Do México, a seleção reúne peças da cultura popular de diferentes regiões, como letras e corações decorativos em feltro feitos por artesãs tzotzil de Chiapas e carteiras bordadas do povo mixe de Oaxaca, entre outras. A delicada renda nhanduti, Patrimônio Cultural do Paraguai desde 2019, comparece em toalhas e leques.
A curadoria também destaca produções de comunidades imigrantes no Brasil. Indígenas venezuelanas do povo Warao, hoje refugiadas em Roraima, apresentam cestarias em palha de buriti. Com apoio do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), elas mantêm a prática tradicional enquanto geram renda. O trabalho do coletivo boliviano Flor de Kantuta, formado em São Paulo em 2023 por mulheres imigrantes, está representado pelas bolsas com aguayos, tecidos andinos de cores intensas e padrões geométricos. Já Lucrécia Terán, artista multidisciplinar, mulher trans e indígena do povo Kichwa Karanki, do norte do Equador, radicada em São Paulo, traz seus colares inspirados em culturas pré-colombianas. Cobre, latão e prata são os materiais utilizados, e técnicas de oxidação sobre o metal trazem o efeito de pátina azul e verde.
A produção brasileira vem representada por diferentes linguagens e regiões. A Loja MASP apresenta esculturas sonoras de cerâmica, como vasos e ocarinas inspirados em peças pré-colombianas do Peru, feitos pela brasileira Rosana Garnier. Entre as cerâmicas, destacam-se também peças de mulheres do Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais). Nos acessórios, colares de miçanga feitos por Miriam Pappalardo (São Paulo) e por artesãs da etnia Tupiniquim (Espírito Santo) ampliam o diálogo entre tradição e contemporaneidade. O design em madeira aparece com carteiras, caixas e bandejas da Marchetaria do Acre, enquanto bolsas em couro e fibras sintéticas, criadas por Paula Ferber e pelo Atelier Watson (ambos de São Paulo), trazem experimentação e inovação.
“Com esse conjunto de obras a Loja MASP dá um passo importante. Até hoje nossa abrangência geográfica era o Brasil, apenas com incursões esporádicas em alguns países do Hemisfério Sul. A inclusão de outros países da América Latina significa uma ampliação do olhar”, afirma Adélia. A curadora também ressalta que os produtos têm origem rastreada, com respeito às autorias, atenção às condições em que foram feitos e ao uso de matérias-primas, técnicas e processos sustentáveis. A escolha leva em conta, ainda, a representatividade das culturas nos territórios onde são produzidos.
SERVIÇO
Loja MASP na 22ª edição da SP-Arte
Curadoria: Adélia Borges, curadora-adjunta, Loja MASP
8–12.4.2026
Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera, portão 3, estande I08, 3º piso.
Horários:
8 de abril, convidados
9–10 de abril, 12h–20h
11 de abril, 11h–20h
12 de abril, 12h–19h
Ingressos: R$ 120 (inteira); R$ 60 (meia-entrada)