Dicas

Galeria Kogan Amaro apresenta mostrainédita de Élle de Bernardini

Em Nem tudo que reluz é ouro, Bernardini apresenta telas, esculturas, foto performances e desenhos e convida o público a refletir sobre questões de gênero, identidade e sexualidade

Artista multidisciplinar, Élle de Bernardini transita entre a dança e as artes visuais e retrata o corpo inteiro, trans, vivo e pulsante. Por meio de telas, pinturas, esculturas, foto performances e desenhos, ela faz alusão às questões da sexualidade que confrontam os padrões que circundam o mundo contemporâneo e busca resgatar e reconstruir as narrativas esquecidas, apagadas e silenciadas das minorias de gênero. Uma seleção inédita destes trabalhos poderá ser vista em Nem tudo que reluz é ouro, exposição com curadoria de Ana Carolina Ralston, em cartaz a partir da segunda semana de setembro na Galeria Kogan Amaro.

O público poderá visitar a mostra com horário agendado pelo telefone ( 11 3045-0755 / 0944) ou e-mail (atendimento@galeriakoganamaro.com). Seguindo o protocolo de segurança ambiental e sanitária da pandemia do Covid-19, a Galeria funcionará em horário especial, das 11h às 15h, com número limitado de visitantes, uso obrigatório de máscara, disponibilização de álcool em gel e orientação de distanciamento mínimo de 1,5 metro entre clientes e colaboradores.

“Memória e repetição. Essas duas palavras são a base das obras reunidas na primeira mostra individual da gaúcha Élle de Bernardini na Galeria Kogan Amaro São Paulo. A mostra trata a artista como um corpo inteiro e pulsante, que percebe na reafirmação dessas duas constantes uma forma de mudar a percepção de um fato, criando, assim, novas verdades”, escreve a curadora.

Bernardini traz aos seus trabalhos dor e alegria, beleza e horror, emoções que remetem aos limites que atravessamos na vida. O rosa e o azul surgem em suas criações como elementos simbólicos para borrar as margens entre o feminino e o masculino, o certo e o errado e as convenções, de modo geral, da sociedade normativa.

“O trabalho de Élle aborda a intersecção entre questões de gênero, sexualidade, política e identidade com a história da humanidade e da arte a partir de sua própria experiência”, pontua Ralston .

Élle faz uso de materiais diversos, como plásticos, pvc, tecidos macios, frios e quentes ou ásperos para aludir à uma beleza que incomoda. São recortados dando formas às partes do corpo sexual, são agradáveis ao olhar, mas também desconfortáveis ao se aproximar no desejo de tocá-los.

Em meio ao período de isolamento social imposto pela pandemia do Covid-19, Bernardini percebeu-se por um momento suspensa das pautas relativas à sexualidade e questões de gênero no mundo da arte. Isolar-se a levou a um contato mais intenso e criativo com sua obra. Decidiu, a partir disto, concentrar sua pesquisa no processo formal das relações entre as cores rosa e azul, escolhendo formatos e dimensões que cabiam em sua casa.

Tal qual um casulo, Élle de Bernardini voltou-se para dentro. Passou a se questionar como artista trans e a pensar se deveria abordar sempre em seu trabalho as questões de gênero, de sexualidade e de sua identidade transexual. Mas, tudo indica, não há resposta para essas perguntas. “Não há arte inocente ou arte da inocência e sim, a arte é também um posicionamento do artista perante do mundo”, segundo Ricardo Resende, diretor artístico da galeria.

“O próprio ‘Élle’, faz alusão a uma ambiguidade que habita nosso ser. A palavra, uma espécie de raiz de seu nome de batismo, coloca em cheque a língua portuguesa e a francesa e suas semelhanças e oposições na percepção do masculino e feminino. É justamente sobre esse virtuoso acasalamento que se encontra o ser artista”, complementa a curadora da mostra, Ana Carolina Ralston.

Sobre Élle de Bernardini

Nascida em Itaqui, Rio Grande do Sul, em 1991, vive e trabalha em São Paulo, transita entre a dança e as artes visuais, além de ser uma mulher trans, interessada em resgatar e reconstruir as narrativas esquecidas, apagadas e silenciadas das minorias de gênero. Formada em balé clássico pela Royal Academy of Dance, em Londres, e pelos mestres japoneses de Butô, Yoshito Ohno e Tadashi Endo. A artista foi a única mulher transexual a ser aceita para estudar balé clássico na escola inglesa, onde retornou em 2011 e 2012, para a conclusão de sua formação, de 13 anos de balé. Portanto, a linguagem artística de Élle de Bernardini começou a ser modificada em 2013, ano em que ela se autodenominou como artista visual. O trabalho de Élle de Bernardini já foi exposto em diversas instituições nacionais, como o MASP, Pinacoteca de São Paulo, Museu de Arte do Rio/ MAR, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Museu de Arte Contemporânea de Niterói.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.