Orquestra toca na Sala São Paulo com maestro alemão e violinista norte-americana, de 05 a 07/out; já o Coro da Osesp será conduzido pela regente italiana Valentina Peleggi. Concerto da Osesp de 06/out terá transmissão ao vivo no canal de YouTube.

Dando continuidade à Temporada 2023 – Sem Fronteiras, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp se apresenta entre 05 e 07/out sob a regência do alemão Jun Märkl e tendo a violinista norte-americana Esther Yoo como convidada. O repertório reúne obras de quatro compositores: a contemporânea Gabriela Lena Frank na abertura (Concertino Cusqueño), seguida de Samuel Barber (seu Concerto para Violino), Felix Mendelssohn-Bartholdy (A Gruta de Fingal) e Claude Debussy (La Mer). E, no domingo (08/out), às 18h, o Coro da Osesp volta a receber a regente italiana Valentina Peleggi, em um recital com obras que vão da Renascença à música de nossos dias, de autores como Bach, Schubert, Rachmaninov, Ravel, Villa-Lobos e Aylton Escobar. Vale lembrar que a apresentação da Osesp de sexta (06/out), às 20h30, terá transmissão digital no canal da Orquestra no YouTube.
O Concertino Cusqueño data de 2012 e foi “escrito para celebrar os excelentes músicos da Orquestra da Filadélfia”, que também foram responsáveis por sua estreia nesse mesmo ano. Segundo a compositora norte-americana Gabriela Lena Frank (1972-), a obra encontrou inspiração em sua herança materna — a cultura peruana — e no compositor britânico Benjamin Britten.
O Concerto para Violino de Samuel Barber (1910-1981) constitui uma de suas composições mais representativas, ainda que seu Adágio para Cordas [1936], arranjado a partir do segundo movimento de seu Quarteto de Cordas, absconda o conjunto de sua obra. O ponto de partida para a criação do Concerto teria sido a encomenda de um importante mecenas e administrador do Curtis Institute of Music — instituição de ensino superior de música da Filadélfia de prestígio internacional e alma mater de Barber — para o filho violinista, Isaak Briselli. Barber compôs os dois primeiros movimentos na Suíça, em 1939, e, ao receber parte da obra, o destinatário a teria julgado “muito simples e pouco brilhante para um concerto”. Assim o compositor trabalharia em um terceiro movimento que pudesse agradar ao músico. Deslocado da Suíça para Paris, seria logo obrigado a deixar a Europa devido aos eventos relacionados à Segunda Guerra. Ele retornaria então aos Estados Unidos e a composição para o final do Concerto seria praticamente concluída durante essa viagem, a bordo de um navio. Briselli mais uma vez contestaria o resultado da obra, porém desta vez julgando o terceiro movimento “muito difícil”. O delicado impasse levaria ao desentendimento entre os músicos e, consequentemente, à desistência do destinatário em realizar a estreia. Barber finalizaria seu Concerto em julho de 1940, e seria o virtuose Albert Spalding [1888-1953] que, a convite do próprio compositor, aceitaria imediatamente o desafio de estrear a obra, o que aconteceu na Filadélfia, em 7 de fevereiro de 1941, com a Orquestra da Filadélfia sob a regência de Eugene Ormandy.
Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847) termina de compor seu Opus 26 em 16 de dezembro de 1830, data talvez alusiva ao único dia do ano em que o Sol está suficientemente inclinado para iluminar o fundo da caverna de Fingal, na Escócia. A essa primeira versão de 1830, ele dá o nome de Die einsame Insel [A Ilha Solitária]. Mendelssohn dá aqui um testemunho insuperável de seu talento, reconhecido inclusive por Richard Wagner, de compor paisagens pictórico-musicais, sem nenhuma concessão, contudo, à narratividade literária e à música de programa. Escrita por um compositor impregnado de cultura clássica, A Ilha Solitária tornou-se paradoxalmente um ícone do “paisagismo sonoro” romântico da primeira metade do século, só comparável em capacidade evocativa e densidade simbólica ao que foi, para o romantismo fin de siècle, A Ilha dos Mortos, de Arnold Böcklin e Sergei Rachmaninov.
Escrita no início do século passado, La Mer ocupa, na produção de Claude Debussy (1862-1918), o espaço equivalente àquele que uma sinfonia relevante ocupava para compositores dos períodos clássico e romântico. Excluindo-se o fato comum de se tratar de uma peça para grande orquestra, aqui tudo o mais difere. O crítico norte-americano Alex Ross sugere que o ponto de virada para o compositor francês foi provavelmente a experiência da escuta, ainda no século XIX, da música de uma trupe teatral vietnamita e de um gamelão javanês: “Contém todas as gradações, até mesmo algumas que já não sabemos mais nomear, de modo que tônica e dominante não passam de fantasmas vazios para uso de crianças espertas”, escreveria o próprio Debussy naquela ocasião. La Mer flui, assim, nesse tênue vai e vem das sensações sutis das gradações suavemente distintas, nos movimentos pendulares entre os blocos harmônicos, nos tons pastéis de sua orquestração, com nuanças e transparências únicas.
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp
Criada em 1954, é uma das mais importantes orquestras da América Latina e desde 1999 tem a Sala São Paulo como sede. O suíço Thierry Fischer é seu Diretor Musical e Regente Titular desde 2020, tendo sido precedido, de 2012 a 2019, pela norte-americana Marin Alsop, que agora é Regente de Honra. Em 2016, a Osesp esteve nos principais festivais da Europa e, em 2019, realizou turnê pela China. No mesmo ano, estreou projeto em parceria com o Carnegie Hall, com a Nona Sinfonia de Beethoven cantada ineditamente em português. Em 2018, a gravação das Sinfonias de Villa-Lobos, regidas por Isaac Karabtchevsky, recebeu o Grande Prêmio da Revista Concerto e o Prêmio da Música Brasileira.
Coro da Osesp
Criado em 1994, o grupo aborda diferentes períodos e estilos, com ênfase nos séculos XX e XXI e nas criações de compositores brasileiros. Gravou álbuns pelo Selo Digital Osesp, Biscoito Fino e Naxos. Entre 1995 e 2015, teve Naomi Munakata como Coordenadora e Regente. De 2017 a 2019, a italiana Valentina Peleggi assumiu a regência, tendo William Coelho como Maestro Preparador — posição que ele mantém desde então. Em 2020, o Coro se apresentou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, sob regência de Marin Alsop, repetindo o feito em 2021, em filme virtual com Yo-Yo Ma e artistas de outros sete países. Em 2022, fez turnê com a Osesp nos Estados Unidos, apresentando-se, novamente liderados por Alsop, no Music Center at Strathmore, em North Bethesda, e em dois concertos no Carnegie Hall, em Nova York.
Jun Märkl
Altamente respeitado como intérprete do repertório germânico central e também conhecido por sua abordagem refinada da música francesa impressionista, Jun Märkl é atualmente Diretor Musical da Filarmônica da Malásia e da Sinfônica Nacional de Taiwan, além de Assessor Artístico da Sinfônica de Indianápolis e Regente Convidado Principal da Residentie Orkest (Holanda) e da Sinfônica do Oregon (EUA). Colabora com as óperas estaduais de Viena, Berlim, Munique e de Dresden, com o Metropolitan de Nova York, além de ter dirigido a Orquestra Nacional de Lyon (França) e a Ópera Nacional Basca (Espanha). Como reconhecimento por suas conquistas na França, foi nomeado em 2012 Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres.
Valentina Peleggi
Diretora musical da Orquestra Sinfônica de Richmond (EUA) e regente assistente da Ópera Nacional Inglesa (ENO), a italiana Valentina Peleggi acumulou diversas distinções ao longo de sua carreira, como a Taki Alsop Fellowship [2015], o prêmio da Royal Accademy of Music (Londres) e o Diploma de Honra da Academia Musical Chigiana (Itália). Atuou como regente assistente e professora da Academia da Osesp – o que lhe rendeu em 2016 o Prêmio do Ano da Academia Paulista dos Críticos de Arte (APCA) – além de ter assumido os postos de regente do Coro da Osesp e de regente em residência entre 2017-19. Dentre os destaques da Temporada 2023, estão suas mais recentes colaborações ao lado das Sinfônicas de Dallas, Chicago e Kansas City, da BBC Scottish Symphony e da Orquestra Nacional da Rádio Polonesa, além das estreias no Teatro Colón e na Arena di Verona.
Esther Yoo
Esther Yoo acumulou premiações e distinções importantes ainda nos primeiros anos de sua carreira: mais jovem ganhadora do Concurso Internacional de Violino Sibelius [2010]; vencedora do Concurso Rainha Elisabeth [2012]; Artista da Nova Geração da BBC Radio 3 [2014]; e incluída na lista dos 30 melhores artistas com menos de 30 anos da Classic FM, no Reino Unido [2018]. Yoo se apresenta com muitos maestros de destaque, incluindo Vladimir Ashkenazy (com quem ela e a Philharmonia gravaram os concertos de Sibelius, Glazunov e Tchaikovsky para a Deutsche Grammophon), Gustavo Dudamel e Esa-Pekka Salonen, da mesma forma que tem atuado com orquestras como a Sinfônica da BBC, as Filarmônicas de Los Angeles, de Seul e Real de Liverpool e em recitais no Lincoln Center e na Wigmore Hall.
PROGRAMAS
TEMPORADA OSESP: JUN MÄRKL E ESTHER YOO
ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO
JUN MÄRKL regente
ESTHER YOO violino
Gabriela LENA FRANK | Concertino Cusqueño
Samuel BARBER | Concerto para Violino, Op. 14
Felix MENDELSSOHN-BARTHOLDY | As Hébridas, Op. 26 – A Gruta de Fingal
Claude DEBUSSY | La Mer
TEMPORADA OSESP: CORO E VALENTINA PELEGGI EM “ESPELHOS: DA RENASCENÇA À MÚSICA DOS NOSSOS DIAS”
CORO DA OSESP
VALENTINA PELEGGI regente
Guillaume DUFAY | Missa L’Homme Armé: Kyrie
Johann Sebastian BACH | Prelúdio e Fuga nº 8, BWV 853
Knut NYSTEDT | Bach Imortal
José Miguel WISNIK | Mortal Loucura
Heitor VILLA-LOBOS | Bachianas Brasileiras nº 9
Franz SCHUBERT | Serenata
Robert SCHUMANN | Rêverie
Sergei RACHMANINOV | Prelúdio, Op. 3, nº 2
Aylton ESCOBAR | Agnus Dei
Samuel BARBER | Agnus Dei (Adágio para Cordas)
Maurice RAVEL | Ma Mère l’Oye: Le Jardin Féerique
SERVIÇO
05 de outubro, quinta-feira, às 20h30
06 de outubro, sexta-feira, às 20h30 – Concerto Digital
07 de outubro, sábado, às 16h30
08 de outubro, às 18h00 [Coro da Osesp]
Endereço: Sala São Paulo | Praça Júlio Prestes, 16
Taxa de ocupação limite: 1.484 lugares
Recomendação etária: 7 anos
Ingressos: Entre R$ 39,60 e R$ 258,00 [Osesp]; R$39,60 [Coro da Osesp] (valores inteiros)
Bilheteria (INTI): neste link
(11) 3777-9721, de segunda a sexta, das 12h às 18h.
Cartões de crédito: Visa, Mastercard, American Express e Diners.
Estacionamento: R$ 28,00 (noturno e sábado à tarde) e R$ 16,00 (sábado e domingo de manhã) | 600 vagas; 20 para pessoas com deficiência; 33 para idosos.
*Estudantes, pessoas acima dos 60 anos, jovens pertencentes a famílias de baixa renda com idade de 15 a 29 anos, pessoas com deficiências e um acompanhante e servidores da educação (servidores do quadro de apoio – funcionários da secretaria e operacionais – e especialistas da Educação – coordenadores pedagógicos, diretores e supervisores – da rede pública, estadual e municipal) têm desconto de 50% nos ingressos para os concertos da Temporada Osesp na Sala São Paulo, mediante comprovação
A Osesp e a Sala São Paulo são equipamentos do Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Fundação Osesp, Organização Social da Cultura.